segunda-feira, 31 de maio de 2010
Bons professores
É difícil definir um bom professor. Igualmente difícil é reconhecê-lo: pode ser careca e baixinho, pode ter sotaque, tique, cacoete, pode até ser gago. O que distingue o bom professor é capacidade de ensinar os alunos a se fazerem boas perguntas, a fazerem boas perguntas a outras pessoas, incentivando o debate e o raciocínio crítico, que se opõem à argumentação inadequada e aos discursos do poder. Bons professores, em suma, nos ajudam a pensar por conta própria e a debater abalizadamente nosso ponto de vista, criando condições para um debate mais qualificado.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Acordo bilateral com a França
Abaixo, pedaço do Plano de Ação contida na declaração conjunta entre Brasil e França. É um acordo complexo, ao que parece, com concessões mútuas. Por exemplo, na exploração de petróleo (!) - imagino que o Br seja uma alternativa a um oriente médio cada vez mais anlo-saxão, lançamento de satélites - por que, se ambos os países já têm bases muito próximas e independentes(?), desenvolvimento regional - nisso os franceses são bons, haja visto o já esquecido RumoS 2015, que adotou a metodologia francesa etc. Além de todos os detalhes, o acordo é sobretudo geopolítico, uma vez que reservaria em tese o Atlântico Sul e suas costas a ambos os países. A propósito: a África é objeto do acordo, com projetos em áreas como energia... Nessa visão, a recuperação da influência francesa na região é um fato aceito e, provavelmente, compartilhado pelos brasileiros.
No campo econômico, ... [o]s dois países, determinados a desempenhar papel essencial na definição de novo modelo de crescimento, envidarão esforços para convencer seus parceiros a aderir a valores e princípios comuns.
No campo da exploração e produção de hidrocarburetos, o Brasil e a França envidarão esforços para desenvolver a cooperação bilateral em torno de projetos conjuntos.
Na área do direito do mar, os dois países intensificarão seu intercâmbio para formalizar a cooperação bilateral e facilitar a aquisição mútua de dados sobre o limite exterior da plataforma continental dos dois Estados na fronteira marítima entre o Brasil e a Guiana Francesa.
No campo científico e acadêmico, será dada prioridade à promoção de tecnologias de alto nível. A esse respeito, o intercâmbio universitário será facilitado, contemplando, em particular, a formação cruzada de engenheiros e o reforço dos laços entre os centros de pesquisa. A formação profissional será objeto de particular atenção.
No campo da cooperação administrativa, os dois Presidentes decidiram encorajar a cooperação em matéria de ordenamento territorial, urbanismo e política urbana entre as administrações estaduais e municipais, do Brasil, e territoriais, da Franca
No campo econômico, ... [o]s dois países, determinados a desempenhar papel essencial na definição de novo modelo de crescimento, envidarão esforços para convencer seus parceiros a aderir a valores e princípios comuns.
No campo da exploração e produção de hidrocarburetos, o Brasil e a França envidarão esforços para desenvolver a cooperação bilateral em torno de projetos conjuntos.
Na área do direito do mar, os dois países intensificarão seu intercâmbio para formalizar a cooperação bilateral e facilitar a aquisição mútua de dados sobre o limite exterior da plataforma continental dos dois Estados na fronteira marítima entre o Brasil e a Guiana Francesa.
No campo científico e acadêmico, será dada prioridade à promoção de tecnologias de alto nível. A esse respeito, o intercâmbio universitário será facilitado, contemplando, em particular, a formação cruzada de engenheiros e o reforço dos laços entre os centros de pesquisa. A formação profissional será objeto de particular atenção.
No campo da cooperação administrativa, os dois Presidentes decidiram encorajar a cooperação em matéria de ordenamento territorial, urbanismo e política urbana entre as administrações estaduais e municipais, do Brasil, e territoriais, da Franca
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Um bom argumento
Eis o que me parece ser um bom argumento, com atenção às premissas e a consequência da conclusão:
Premissa 1: O agronegócio latifundiário se apresenta como moderno e produtivo, tecnologicamente avançado, sustentáculo das exportações agrícolas.
Premissa 2: No entanto, demonstra um medo arrasador a uma simples atualização dos índices de produtividade em cumprimento à lei agrícola (este setor só é defensor da lei quando esta lhe favorece), pela média dos últimos dez anos.
Premissa 3: A última atualização é de 34 anos atrás.
Conclusão: Portanto, ou não é verdade que se modernizaram e são produtivos ou o pavor dos índices não se justifica.
Argumento de Vanderlei Martini, via Diário Gauche
Premissa 1: O agronegócio latifundiário se apresenta como moderno e produtivo, tecnologicamente avançado, sustentáculo das exportações agrícolas.
Premissa 2: No entanto, demonstra um medo arrasador a uma simples atualização dos índices de produtividade em cumprimento à lei agrícola (este setor só é defensor da lei quando esta lhe favorece), pela média dos últimos dez anos.
Premissa 3: A última atualização é de 34 anos atrás.
Conclusão: Portanto, ou não é verdade que se modernizaram e são produtivos ou o pavor dos índices não se justifica.
Argumento de Vanderlei Martini, via Diário Gauche
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Violência e econometria
A econometria também permite uma avaliação mais instrutiva da violência, evitando a análise enviasada da grande imprensa. O artigo abaixo da Econometrica é sobre São Paulo (não entendo por que nem o abstract dos artigos está em português)
Victimization in São Paulo State, BrazilFábio Augusto Reis Gomes, Lourenço Senne Paz
Abstract
In this paper, the determinants of victimization by burglary/larceny are assessed theoretically by a model that takes into account the victim’s investment in self-protection and criminals with heterogeneous ability. Such features generate a non-increasing relationship between an individual’s income (which is attractive to the criminal) and her victimization likelihood. Thus, we obtain a novel result indicating that rich people might experience less victimization than middle-class individuals. The determinants are also investigated empirically using a victimization survey for São Paulo state – Brazil (Pesquisa de Condição de Vida – 1998 ), and unlike the previous literature, we found evidence that most of the city size effect on victimization likelihood is explained by the city’s population characteristics (income, education, etc.). Moreover, crime and city size do not have an increasing relationship, and the same applies to victimization likelihood and victim’s income. These results are in line with our theoretical model predictions. Finally, we found evidence that people do not consider their victimization likelihood when choosing a city to live in.
A dica também é do De Gustibus non est disputandum.
Victimization in São Paulo State, BrazilFábio Augusto Reis Gomes, Lourenço Senne Paz
Abstract
In this paper, the determinants of victimization by burglary/larceny are assessed theoretically by a model that takes into account the victim’s investment in self-protection and criminals with heterogeneous ability. Such features generate a non-increasing relationship between an individual’s income (which is attractive to the criminal) and her victimization likelihood. Thus, we obtain a novel result indicating that rich people might experience less victimization than middle-class individuals. The determinants are also investigated empirically using a victimization survey for São Paulo state – Brazil (Pesquisa de Condição de Vida – 1998 ), and unlike the previous literature, we found evidence that most of the city size effect on victimization likelihood is explained by the city’s population characteristics (income, education, etc.). Moreover, crime and city size do not have an increasing relationship, and the same applies to victimization likelihood and victim’s income. These results are in line with our theoretical model predictions. Finally, we found evidence that people do not consider their victimization likelihood when choosing a city to live in.
A dica também é do De Gustibus non est disputandum.
Econometria e educação
Sem dúvida, o uso de métodos econométricos é uma ferramenta poderosa para avaliar o desempenho escolar. Não é à toa que economistas e estatísticos têm ganhado espaço nas discussões sobre políticas educacionais. Aquele blá blá blá dos pedagogos felizmente perde espaço. Abaixo o resumo de uma das apresentações do Seminário de economia de Belo Horizonte, que acontecerá ainda neste mês:
Avaliando o Impacto da Progressão Continuada nas Taxas de Rendimento e Desempenho Escolar do Brasil
Naércio Menezes-Filho
Lígia Vasconcellos
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang
Roberta Loboda Biondi
Resumo
Este trabalho contribui para o debate a respeito do programa de progressão continuada,apresentando as estimativas do seu impacto sobre as taxas de aprovação, abandono e desempenho escolar. Os resultados apontam para uma maior taxa de aprovação e menor taxa de abandono nas
escolas que adotam o programa. Com relação ao desempenho escolar, obteve-se uma redução na proficiência dos estudantes da 8a série do ensino fundamental, enquanto que para a 4a série os resultados não foram significativos. A partir destas estimativas, é calculado o retorno econômico do programa e concluímos que a adoção da progressão continuada atinge seus objetivos de aumentar o incentivo para a permanência do aluno na escola, o que tem como conseqüência direta a melhora da renda futura, mesmo com o impacto negativo no desempenho.
Dica do De Gustibus non est disputandum.
Avaliando o Impacto da Progressão Continuada nas Taxas de Rendimento e Desempenho Escolar do Brasil
Naércio Menezes-Filho
Lígia Vasconcellos
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang
Roberta Loboda Biondi
Resumo
Este trabalho contribui para o debate a respeito do programa de progressão continuada,apresentando as estimativas do seu impacto sobre as taxas de aprovação, abandono e desempenho escolar. Os resultados apontam para uma maior taxa de aprovação e menor taxa de abandono nas
escolas que adotam o programa. Com relação ao desempenho escolar, obteve-se uma redução na proficiência dos estudantes da 8a série do ensino fundamental, enquanto que para a 4a série os resultados não foram significativos. A partir destas estimativas, é calculado o retorno econômico do programa e concluímos que a adoção da progressão continuada atinge seus objetivos de aumentar o incentivo para a permanência do aluno na escola, o que tem como conseqüência direta a melhora da renda futura, mesmo com o impacto negativo no desempenho.
Dica do De Gustibus non est disputandum.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
O desenvolvimento conservador

A foto exemplifica o nosso histórico modus operandi: desenvolvimento conservador (também pode ser considerada a benção das elites políticas à futura presidente).
De qualquer modo já dá para ver, pois está nítido na foto, com quem ficará boa parte da riqueza do pré-sal... com todas as contradições e tensões que esses personagens provocarão em nosso futuro, quer nós queiramos, quer não.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Justiça distributiva e desenvolvimento econômico
O estudo das relações entre ética e economia se fortaleceu nos últimos anos, em especial após a concessão do prêmio Nobel de Economia de 1998 a um estudioso do assunto, Amartya Sen. Contudo, como aponta o autor em seu livro Ética e Economia (2004), essas relações não são novas, de modo que o próprio pai fundador da economia moderna, Adam Smith, professor de filosofia moral em Glasgow, considerava sua seminal obra de economia Investigação sobre as origens e causas da riqueza das nações (1979) uma parte, um subsistema, de seu sistema filosófico mais geral acerca dos sentimentos morais, exposta em sua obra de filosofia A teoria dos sentimentos morais (2002)1.
Embora Sen seja a principal referência entre os economistas sobre as relações tempestuosas entre ética e economia, o recrudescimento do assunto se deveu em grande medida ao filósofo americano John Rawls, que em 1971 publicou sua monumental Uma Teoria da Justiça (2002), na qual formula com rigor a concepção de justiça como equidade, que lhe permite apresentar de maneira convincente uma concepção rigorosa e, ao mesmo tempo, plausível, de justiça distributiva. A concepção igualitária liberal de justiça modifica rapidamente o espectro da cena política, tornando o liberalismo, em sua versão rawlsiana, uma bandeira da “esquerda”, substituindo com vantagens as concepções de inspiração marxista. Dado o impacto da obra de Rawls, as teorias tradicionais de justiça, o utilitarismo, o libertarismo e o marxismo, são forçadas a se reformularem e reapresentarem seus princípios fundamentais, notadamente os princípios da utilidade, liberdade e igualdade com mais clareza e coerência.
A apresentação dessas teorias e suas reformulações a partir do desafio proposto por Rawls constituem o corpo principal deste trabalho, respectivamente, o utilitarismo, o libertarismo, o igualitarismo e o igualitarismo liberal.
O objetivo da análise consiste não apenas em apresentar o posicionamento teórico e a coerência interna de cada uma das teorias da justiça, como também investigar quais são as concepções de cada delas sobre o que é, afinal de contas, uma sociedade desenvolvida, já que essa deve ser, por definição, uma sociedade justa. Desse modo, a busca por desenvolvimento e pelo funcionamento justo das instituições constituem a busca pela mesma coisa. Não há desenvolvimento sem justiça, não há justiça sem desenvolvimento. É lícito, como será apresentado, divergir sobre o que seja a justiça, e quais devem ser as opções de desenvolvimento a seguir, mas essa divergência deve estar baseada em argumentos que possam ser discutidos de forma racional e que possam satisfazer de algum modo nossas intuições morais mais elementares.
Início do TCC apresentado à FCE em julho de 2009.
Embora Sen seja a principal referência entre os economistas sobre as relações tempestuosas entre ética e economia, o recrudescimento do assunto se deveu em grande medida ao filósofo americano John Rawls, que em 1971 publicou sua monumental Uma Teoria da Justiça (2002), na qual formula com rigor a concepção de justiça como equidade, que lhe permite apresentar de maneira convincente uma concepção rigorosa e, ao mesmo tempo, plausível, de justiça distributiva. A concepção igualitária liberal de justiça modifica rapidamente o espectro da cena política, tornando o liberalismo, em sua versão rawlsiana, uma bandeira da “esquerda”, substituindo com vantagens as concepções de inspiração marxista. Dado o impacto da obra de Rawls, as teorias tradicionais de justiça, o utilitarismo, o libertarismo e o marxismo, são forçadas a se reformularem e reapresentarem seus princípios fundamentais, notadamente os princípios da utilidade, liberdade e igualdade com mais clareza e coerência.
A apresentação dessas teorias e suas reformulações a partir do desafio proposto por Rawls constituem o corpo principal deste trabalho, respectivamente, o utilitarismo, o libertarismo, o igualitarismo e o igualitarismo liberal.
O objetivo da análise consiste não apenas em apresentar o posicionamento teórico e a coerência interna de cada uma das teorias da justiça, como também investigar quais são as concepções de cada delas sobre o que é, afinal de contas, uma sociedade desenvolvida, já que essa deve ser, por definição, uma sociedade justa. Desse modo, a busca por desenvolvimento e pelo funcionamento justo das instituições constituem a busca pela mesma coisa. Não há desenvolvimento sem justiça, não há justiça sem desenvolvimento. É lícito, como será apresentado, divergir sobre o que seja a justiça, e quais devem ser as opções de desenvolvimento a seguir, mas essa divergência deve estar baseada em argumentos que possam ser discutidos de forma racional e que possam satisfazer de algum modo nossas intuições morais mais elementares.
Início do TCC apresentado à FCE em julho de 2009.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Ian Hacking: entre ontologia e a probabilidade
The Holberg International Memorial Prize for 2009 for outstanding scholarly work in the arts and humanities, social sciences, law and theology is awarded to Professor of Philosophy at the University of Toronto and Collège de France Ian Hacking.
Citation from the Holberg Prize Academic Committee:
"Ian Hacking is a preeminent philosopher and historian of the sciences. His combination of rigorous philosophical and historical analysis has profoundly altered our understanding of the ways in which key concepts emerge through scientific practices and in specific social and institutional contexts. His work lays bare the normative and social implications of the natural and the social sciences."
Entre seus assuntos, a ontologia histórica e a lógica da inferência estatística são especialmente interessantes. A referência do prêmio ao segundo:
"In The Logic of Statistical Inference (1965), Hacking critically appraises the use of probability theory in contemporary statistics. The Emergence of Probability (1975) makes clear how the idea of probability first took shape in the seventeenth century, in the work of thinkers such as Blaise Pascal and Pierre de Fermat. He pursues the story into the nineteenth century in The Taming of Chance (1990), where he shows how the "avalanche of printed numbers" that occurred as states began to collect and publish statistics, led scientists to use probabilistic concepts to understand social life. No scholar has made a more substantial contribution to our comprehension of the emergence of probability as a fundamental concept in both theory and practice in the modern world."
sábado, 29 de agosto de 2009
Organização de pequenos departamentos de filosofia
É possível organizar um pequeno e produtivo departamento de filosofia? Segundo o blog Small Philosophy Departments sim. A estratégia me parece apropriada mesmo quando não há uma graduação em filosofia. Cursos de direito, por exemplo, têm interesse legítimo em alguns dos grandes temas da filosofia.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Orçamento zero para comunicação social
Reproduzo abaixo comentário que deixei no Diário Gauche. Como sei que a campanha: Imprensa livre, orçamento zero para comunicação social dos governos, jamais irá repercutir e encontrar eco nem no mundo político, nem no mundo midiático, faço uma breve pausa no silêncio de Patruvius devido ao teor potencialmente cívico que a campanha teria para a entendiante e enojante cena pública brasileira.
Oi Cristovão,
de fato, me parece que a Grande Mídia no Brasil exige um privilégio como se fosse um direito, a saber, cobiçam as verbas governamentais para fechar suas contas, financiar suas festinhas e seus asseclas. Contudo, julgo que o raciocínio consequente deveria ir ainda mais longe: por que os governos no país, de um modo geral, gastam e deveriam gastar tanto com comunicação social? Por que R$90.000.000,00 de gastos desse tipo no RS, onde, sabidamente, os serviços sociais estão precaríssimos? Por que a Petrobrás e os ministérios detém polpudas verbas publicitárias? Publicidade não é core business, para usar uma expressão empolada, de uma cia de prospecção de petróleo. Para haver isenção da imprensa, não podem haver conflitos de interesses; fato que me parece inevitável quando o governo, bem como seus braços institucionais, como bancos e estatais, é o principal patrocinador. Será que sem as verbas de publicidade as "empresas de comunicação" das famílias Sirotsky, Sarney, Magalhães, etc, etc seriam tão "isentas" e poderosas? Urge, para bem do civismo brasuca, que os gastos em comunicação social dos governos sejam zerados. Orçamento zero para comunicação social! A não ser, claro, em calamidades ou campanhas de interesse público.
Oi Cristovão,
de fato, me parece que a Grande Mídia no Brasil exige um privilégio como se fosse um direito, a saber, cobiçam as verbas governamentais para fechar suas contas, financiar suas festinhas e seus asseclas. Contudo, julgo que o raciocínio consequente deveria ir ainda mais longe: por que os governos no país, de um modo geral, gastam e deveriam gastar tanto com comunicação social? Por que R$90.000.000,00 de gastos desse tipo no RS, onde, sabidamente, os serviços sociais estão precaríssimos? Por que a Petrobrás e os ministérios detém polpudas verbas publicitárias? Publicidade não é core business, para usar uma expressão empolada, de uma cia de prospecção de petróleo. Para haver isenção da imprensa, não podem haver conflitos de interesses; fato que me parece inevitável quando o governo, bem como seus braços institucionais, como bancos e estatais, é o principal patrocinador. Será que sem as verbas de publicidade as "empresas de comunicação" das famílias Sirotsky, Sarney, Magalhães, etc, etc seriam tão "isentas" e poderosas? Urge, para bem do civismo brasuca, que os gastos em comunicação social dos governos sejam zerados. Orçamento zero para comunicação social! A não ser, claro, em calamidades ou campanhas de interesse público.
sábado, 30 de maio de 2009
SE OS DIÁLOGOS DE PLATÃO FOSSEM PELO MSN
SE OS DIÁLOGOS DE PLATÃO FOSSEM PELO MSN, dica do Biscoito Fino, do Ao Mirante, Nelson.
(Equécrates acaba de entrar)
Equécrates diz:
Falae, meu.
Fédon diz:
Falae, maluco. E a heuristica, blz?
Equécrates diz:
Mto silogismo na parada, fallow? Olhae: diz q o blog do Socrates tah fora do ar.
Fédon diz:
Issae. O Plataum disse q ele se fodeu pq tava fazendo download daqueles aplicativos.
Equécrates diz:
Q aplicativos, meu?
Fédon diz:
Isomorfismo, metempsicose, governo aristocratico. Tudo pesado demais.
Equécrates diz:
:-O
Fédon diz:
Mto loko. O Simias ateh mandou um comment pro blog dele avisando pra mudar de provedor, q o atual naum ia suportar. Mas o Socrates naum quis ouvir.
Equécrates diz:
Q provedor era, meu?
Fédon diz:
Osonzedeatenas.com. Naum suporta esses tipos de aplicativo. Detona mesmo.
(Cebes é adicionado à conversa)
Cebes diz:
Falae, galera.
Fédon diz:
Falae, maluco.
Equécrates diz:
Tudo blz, meu?
Cebes diz:
Vcs viram q um virus fodeu o blog do Socrates?
Fédon diz:
Perae, que virus? Naum foi o provedor q detonou?
Cebes diz:
Naum, o Plataum me fallow q foi virus.
Fédon diz:
Pois pra mim o Plataum contou outra historia, porra.
Equécrates diz:
K pra nos, esse cara toda hora tah com uma versaum diferente.
Fédon diz:
Eh um peripatetico fofoqueiro.
Cebes diz:
Sofista babaca. E ainda vive dizendo q era o maior chegado do Socrates.
Fédon diz:
Quer saber? Naum escuto mais ele.
Cebes diz:
Nem eu. Vou dar o maior gelo, fallow?
Equécrates diz:
Mas pelo menos ele contou q virus foi?
Cebes diz:
Naum soube dizer se foi o cicuta.exe ou o cavalodetroia.exe.
Equécrates diz:
Deve ter sido o cicuta. Pro cavalo de troia jah tem antivirus.
Fédon diz:
Eh, ele jah eh antigo. Foi invençao daquele spammer cegueta, o Homero. Deu um pow danado no blog do Priamo, lembram?
Equécrates diz:
:-D
Cebes diz:
Huahuahuahuahuahuahuahua
Fédon diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
(Platão acaba de entrar)
(Fédon, Equécrates e Cebes podem não responder porque seu status está definido como ausente)
(Equécrates acaba de entrar)
Equécrates diz:
Falae, meu.
Fédon diz:
Falae, maluco. E a heuristica, blz?
Equécrates diz:
Mto silogismo na parada, fallow? Olhae: diz q o blog do Socrates tah fora do ar.
Fédon diz:
Issae. O Plataum disse q ele se fodeu pq tava fazendo download daqueles aplicativos.
Equécrates diz:
Q aplicativos, meu?
Fédon diz:
Isomorfismo, metempsicose, governo aristocratico. Tudo pesado demais.
Equécrates diz:
:-O
Fédon diz:
Mto loko. O Simias ateh mandou um comment pro blog dele avisando pra mudar de provedor, q o atual naum ia suportar. Mas o Socrates naum quis ouvir.
Equécrates diz:
Q provedor era, meu?
Fédon diz:
Osonzedeatenas.com. Naum suporta esses tipos de aplicativo. Detona mesmo.
(Cebes é adicionado à conversa)
Cebes diz:
Falae, galera.
Fédon diz:
Falae, maluco.
Equécrates diz:
Tudo blz, meu?
Cebes diz:
Vcs viram q um virus fodeu o blog do Socrates?
Fédon diz:
Perae, que virus? Naum foi o provedor q detonou?
Cebes diz:
Naum, o Plataum me fallow q foi virus.
Fédon diz:
Pois pra mim o Plataum contou outra historia, porra.
Equécrates diz:
K pra nos, esse cara toda hora tah com uma versaum diferente.
Fédon diz:
Eh um peripatetico fofoqueiro.
Cebes diz:
Sofista babaca. E ainda vive dizendo q era o maior chegado do Socrates.
Fédon diz:
Quer saber? Naum escuto mais ele.
Cebes diz:
Nem eu. Vou dar o maior gelo, fallow?
Equécrates diz:
Mas pelo menos ele contou q virus foi?
Cebes diz:
Naum soube dizer se foi o cicuta.exe ou o cavalodetroia.exe.
Equécrates diz:
Deve ter sido o cicuta. Pro cavalo de troia jah tem antivirus.
Fédon diz:
Eh, ele jah eh antigo. Foi invençao daquele spammer cegueta, o Homero. Deu um pow danado no blog do Priamo, lembram?
Equécrates diz:
:-D
Cebes diz:
Huahuahuahuahuahuahuahua
Fédon diz:
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
(Platão acaba de entrar)
(Fédon, Equécrates e Cebes podem não responder porque seu status está definido como ausente)
terça-feira, 5 de maio de 2009
Prioridade com a educação é...
Ninguém parece estar seriamente preocupado com a questão, em todo caso, é sempre bom lembrar, depois de mais uma avaliação de nossa educação básica. Via Bomfoco
(...) note que, apesar de os governos federal e estadual afirmarem a prioridade da educação, o investimento público brasileiro em educação em 2007 foi de apenas 4,6% em relação ao PIB. Já é lugar-comum econômico que os países que se desenvolveram fizeram um esforço no domínio da educação. Além do desafio financeiro, precisamos enfrentar ainda o mau gerenciamento dos recursos disponíveis, a má formação dos professores e o desinteresse dos alunos.
Nossa sociedade continua sem compreender o papel das escolas no desenvolvimento da democracia. É preciso repensar o papel e a função das escolas nos dias atuais: seus valores e sua finalidade. Se esta batalha não for travada em várias frentes, por todos nós, não alcançaremos a vitória.
(...) note que, apesar de os governos federal e estadual afirmarem a prioridade da educação, o investimento público brasileiro em educação em 2007 foi de apenas 4,6% em relação ao PIB. Já é lugar-comum econômico que os países que se desenvolveram fizeram um esforço no domínio da educação. Além do desafio financeiro, precisamos enfrentar ainda o mau gerenciamento dos recursos disponíveis, a má formação dos professores e o desinteresse dos alunos.
Nossa sociedade continua sem compreender o papel das escolas no desenvolvimento da democracia. É preciso repensar o papel e a função das escolas nos dias atuais: seus valores e sua finalidade. Se esta batalha não for travada em várias frentes, por todos nós, não alcançaremos a vitória.
sábado, 2 de maio de 2009
ENEM e a reforma do ensino médio
Do Amálgama, sobre o ENEM se transformar na porta de entrada do ensino superior.
O que é preciso ressaltar, sempre, é que a verdadeira questão vai muito além da mudança de metodologia de uma prova (ENEM). O que deve ser colocado em questão é se a Reforma do Ensino Médio deve mesmo começar de cima para baixo, alterando primeiro as provas, para só depois pensar na reforma dos conteúdos; se a decisão de algo que irá mexer profundamente na estrutura do Ensino em sua totalidade cabe somente à Andifes; se precisa/deve ser discutida em um espaço ínfimo de tempo; e se a Universidade, através deste novo vestibular, caminha para a constituição de um espaço democrático ou só diminui as possibilidades de acesso dos estudantes de escola pública ao ensino superior de qualidade.
O que é preciso ressaltar, sempre, é que a verdadeira questão vai muito além da mudança de metodologia de uma prova (ENEM). O que deve ser colocado em questão é se a Reforma do Ensino Médio deve mesmo começar de cima para baixo, alterando primeiro as provas, para só depois pensar na reforma dos conteúdos; se a decisão de algo que irá mexer profundamente na estrutura do Ensino em sua totalidade cabe somente à Andifes; se precisa/deve ser discutida em um espaço ínfimo de tempo; e se a Universidade, através deste novo vestibular, caminha para a constituição de um espaço democrático ou só diminui as possibilidades de acesso dos estudantes de escola pública ao ensino superior de qualidade.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Suínos soviéticos sorridentes e porcos capitalistas
Eu não sei de onde o Marton do NotTupy tira os seus pôsteres soviéticos, tampouco como ele sabe o quê está escrito neles.

Tradução: "E eles nos chamam de porcos..."
Já o Kikomachado do Tomando na Cuia explicando por que os porcos riem:
" Deve ter algum porco capitalista faturando milhões de dólares com a venda de máscaras para a população da cidade do méxico na tal gripe suína que a grande mída não pára de anunciar. Enquanto isso a Febre Amarela chega com tudo na Capital guapa (ahahahhaha). No méxico, a cidade satélite da qual se originou a doença da gripe suína é uma vergonha mundial no que diz respeito à saúde e ao saneamento..."

Tradução: "E eles nos chamam de porcos..."
Já o Kikomachado do Tomando na Cuia explicando por que os porcos riem:
" Deve ter algum porco capitalista faturando milhões de dólares com a venda de máscaras para a população da cidade do méxico na tal gripe suína que a grande mída não pára de anunciar. Enquanto isso a Febre Amarela chega com tudo na Capital guapa (ahahahhaha). No méxico, a cidade satélite da qual se originou a doença da gripe suína é uma vergonha mundial no que diz respeito à saúde e ao saneamento..."
Lógica informal: ensino e debate público
A discussão abaixo também oriunda do Dadaseyn é a continuação do debate sobre lógica informal:
Com respeito à discussão original - a lógica informal - gostaria de insistir em dois pontos que creio serem fundamentais e constituem-se como tarefas extra-muros da atividade filosófica, que, muito embora no Brasil seja uma atividade quase que estritamente acadêmica, encontra importantes aplicações práticas no debate público.
O primeiro é que, dado o estado-das-artes de nossa cultura pública e cívica, o ensino de conceitos fundamentais para a construção e análise de argumentos tem não apenas aspectos lógicos e epistemológicos, como também um aspecto moral interessantíssimo. Quem quiser um bom exemplo desse aspecto, vale a pena dar uma olhada na análise já referida em post anterior que o César fez de artigo e de editorial do pasquim local. Como já referi outras vezes, a principal denúncia moral de Sócrates contra os Sofistas era, justamente, que sofismavam, ou seja, faziam mau uso das técnicas argumentativas e persuasivas para obterem vantagem pessoal e ludibriarem os incautos. Qualquer semelhança com o uso da palavra que nossos políticos e veículos de comunicação, a grande mídia, fazem atualmente - sofismando loucamente - não é mera coincidência. Nesse sentido, tenho insistido sobre a importância da lógica informal como ferramenta para qualificação, não apenas do discurso científico, como, sobretudo, do discurso corrente no debate público. Como bem notou o César em uma de nossas conversas referindo-se ao Ética Prática de Peter Singer, a exigência da coerência é a primeira das exigências morais. Sem ela não é possível alcançar a verdade, seja ela qual for.
O Eros trouxe uma grata novidade, pelo menos para mim, ao enviar o artigo do Walton sobre o Araucaria. Tenho usado o seu Lógica Informal como livro texto para minhas aulas de lógica por, justamente, permitir uma análise frutífera dos principais contextos argumentativos e das exigências lógicas presentes em cada um deles, que permite distinguir de maneira não técnica bons e maus argumentos. Por exemplo, em contextos de discurso que envolvem o debate forense (cada parte tenta convencer o juri, de modo a obter uma vitória verbal) ou a barganha (cada parte tenta obter o maior ganho possível), o uso de alguns argumentos falaciosos é tolerado. Adicionalmente, como nota Walton, ser um argumento formalmente válido não o impede de ser falacioso. Vejam essa citação do Lógica Informal tirado do valoroso portal de filosofia em língua portuguesa Crítica na Rede:
Algumas falácias são argumentos formalmente válidos, como é o caso da petição de princípio e do falso dilema: «Ou está muito frio ou está muito calor; não está muito frio; logo, está muito calor». tem uma forma válida mas é falacioso porque a primeira premissa não esgota todas as possibilidades: é falsa. Assim, apesar de ser habitual definir falácia como um argumento inválido que parece válido, a definição correcta é «um argumento mau que parece bom» — sendo que um argumento pode ser mau por outros motivos além da invalidade (nomeadamente, por não ser sólido, como é o caso do falso dilema). p.460.
Finalmente, o segundo ponto, diz respeito ao ensino de filosofia em geral e da lógica informal em particular para alunos que não serão futuros filósofos, mas advogados, jornalistas, economistas etc, os "formadores de opinião". O ensino da lógica informal constitui um imenso, significativo e inexplorado filão, que desperta o interesse e atenção de um grande número de profissões que trabalham com a palavra escrita e não encontram nos bancos escolares - em nenhum nível - um estudo introdutório sobre o uso correto de técnicas argumentativas e, especialmente, as exigências da coerência na argumentação. Muito embora seja verdade que as aulas de português, em seus níveis mais avançados tratem desses assuntos, a tarefa de destrinchar argumentos e analisar suas condições de validade é uma tarefa própria e inescapavelmente filosófica (Uma boa dica de um livro de português que toca nessas questões é o Comunicação em Prosa Moderna do Othon Garcia).
Com respeito à discussão original - a lógica informal - gostaria de insistir em dois pontos que creio serem fundamentais e constituem-se como tarefas extra-muros da atividade filosófica, que, muito embora no Brasil seja uma atividade quase que estritamente acadêmica, encontra importantes aplicações práticas no debate público.
O primeiro é que, dado o estado-das-artes de nossa cultura pública e cívica, o ensino de conceitos fundamentais para a construção e análise de argumentos tem não apenas aspectos lógicos e epistemológicos, como também um aspecto moral interessantíssimo. Quem quiser um bom exemplo desse aspecto, vale a pena dar uma olhada na análise já referida em post anterior que o César fez de artigo e de editorial do pasquim local. Como já referi outras vezes, a principal denúncia moral de Sócrates contra os Sofistas era, justamente, que sofismavam, ou seja, faziam mau uso das técnicas argumentativas e persuasivas para obterem vantagem pessoal e ludibriarem os incautos. Qualquer semelhança com o uso da palavra que nossos políticos e veículos de comunicação, a grande mídia, fazem atualmente - sofismando loucamente - não é mera coincidência. Nesse sentido, tenho insistido sobre a importância da lógica informal como ferramenta para qualificação, não apenas do discurso científico, como, sobretudo, do discurso corrente no debate público. Como bem notou o César em uma de nossas conversas referindo-se ao Ética Prática de Peter Singer, a exigência da coerência é a primeira das exigências morais. Sem ela não é possível alcançar a verdade, seja ela qual for.
O Eros trouxe uma grata novidade, pelo menos para mim, ao enviar o artigo do Walton sobre o Araucaria. Tenho usado o seu Lógica Informal como livro texto para minhas aulas de lógica por, justamente, permitir uma análise frutífera dos principais contextos argumentativos e das exigências lógicas presentes em cada um deles, que permite distinguir de maneira não técnica bons e maus argumentos. Por exemplo, em contextos de discurso que envolvem o debate forense (cada parte tenta convencer o juri, de modo a obter uma vitória verbal) ou a barganha (cada parte tenta obter o maior ganho possível), o uso de alguns argumentos falaciosos é tolerado. Adicionalmente, como nota Walton, ser um argumento formalmente válido não o impede de ser falacioso. Vejam essa citação do Lógica Informal tirado do valoroso portal de filosofia em língua portuguesa Crítica na Rede:
Algumas falácias são argumentos formalmente válidos, como é o caso da petição de princípio e do falso dilema: «Ou está muito frio ou está muito calor; não está muito frio; logo, está muito calor». tem uma forma válida mas é falacioso porque a primeira premissa não esgota todas as possibilidades: é falsa. Assim, apesar de ser habitual definir falácia como um argumento inválido que parece válido, a definição correcta é «um argumento mau que parece bom» — sendo que um argumento pode ser mau por outros motivos além da invalidade (nomeadamente, por não ser sólido, como é o caso do falso dilema). p.460.
Finalmente, o segundo ponto, diz respeito ao ensino de filosofia em geral e da lógica informal em particular para alunos que não serão futuros filósofos, mas advogados, jornalistas, economistas etc, os "formadores de opinião". O ensino da lógica informal constitui um imenso, significativo e inexplorado filão, que desperta o interesse e atenção de um grande número de profissões que trabalham com a palavra escrita e não encontram nos bancos escolares - em nenhum nível - um estudo introdutório sobre o uso correto de técnicas argumentativas e, especialmente, as exigências da coerência na argumentação. Muito embora seja verdade que as aulas de português, em seus níveis mais avançados tratem desses assuntos, a tarefa de destrinchar argumentos e analisar suas condições de validade é uma tarefa própria e inescapavelmente filosófica (Uma boa dica de um livro de português que toca nessas questões é o Comunicação em Prosa Moderna do Othon Garcia).
Mapas conceituais
Sem muito tempo para postar textos originais, mando abaixo mail que enviei ao Dadaseyn sobre o uso de softwares que criam mapas conceituais.
(...) O ponto de partida desses softwares como o C-map, o Free-Mind e o Araucaria é o mesmo. Qual seja, representar graficamente o modo de funcionamento do cérebro, o que gera importantes conhecimentos para a área da inteligência artificial. Já fazem alguns anos, eu uso o Free-Mind para organizar esquemas que envolvem somente conceitos e o C-map para organizar esquemas que envolvem proposições. Cada um tem sua utilidade, dependendo do caso. Do ponto de vista da pesquisa científica, o C-map é uma ferramenta mais completa, existindo interessantes discussões em seu fórum sobre o uso pedagógico dessa ferramenta, que envolve uma vasta rede de universidades ao redor do mundo. O mapa abaixo é uma loucura - , pretende ser uma representação gráfica do avanço da ciência, em todas as áreas do conhecimento. Não consegui copiar a legenda, mas o branco é ciências humanas, o laranja é especialidades médicas, o roxo é matemática e física etc.
(...) O ponto de partida desses softwares como o C-map, o Free-Mind e o Araucaria é o mesmo. Qual seja, representar graficamente o modo de funcionamento do cérebro, o que gera importantes conhecimentos para a área da inteligência artificial. Já fazem alguns anos, eu uso o Free-Mind para organizar esquemas que envolvem somente conceitos e o C-map para organizar esquemas que envolvem proposições. Cada um tem sua utilidade, dependendo do caso. Do ponto de vista da pesquisa científica, o C-map é uma ferramenta mais completa, existindo interessantes discussões em seu fórum sobre o uso pedagógico dessa ferramenta, que envolve uma vasta rede de universidades ao redor do mundo. O mapa abaixo é uma loucura - , pretende ser uma representação gráfica do avanço da ciência, em todas as áreas do conhecimento. Não consegui copiar a legenda, mas o branco é ciências humanas, o laranja é especialidades médicas, o roxo é matemática e física etc.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Te defendo ao te acusar
Notícia que achei curiosa do Escolhas e Conseqüências sobre os erros básicos que não espantam ninguém:
Muito curiosa esta notícia. Escritório de advogado de empresa estatal é recordista de ações trabalhistas contra... a própria empresa estatal. Juíz trabalhista não constatou nenhum vínculo entre advogados da estatal e os do escritório de forma a influenciar a "tramitação dos feitos", embora seja reconhecido pelo escritório que "os valores discutidos em muitos processos trabalhistas alcançaram valores elevados". Não custa mencionar que isto tem implicações significativas nos honorários advocatícios. O magistrado trabalhista ainda salientou que "todas as defesas da CEEE deixavam a desejar, ainda que ressalvasse que "não saber informar se a deficiência de defesa da empresa estatal ocorria em processos patrocinados somente por alguns advogados".
A única coisa certa, no entanto, é que o jornalista que investigou o caso foi condenado numa ação reparatória por dano moral movida pelo referido escritório.
Muito curiosa esta notícia. Escritório de advogado de empresa estatal é recordista de ações trabalhistas contra... a própria empresa estatal. Juíz trabalhista não constatou nenhum vínculo entre advogados da estatal e os do escritório de forma a influenciar a "tramitação dos feitos", embora seja reconhecido pelo escritório que "os valores discutidos em muitos processos trabalhistas alcançaram valores elevados". Não custa mencionar que isto tem implicações significativas nos honorários advocatícios. O magistrado trabalhista ainda salientou que "todas as defesas da CEEE deixavam a desejar, ainda que ressalvasse que "não saber informar se a deficiência de defesa da empresa estatal ocorria em processos patrocinados somente por alguns advogados".
A única coisa certa, no entanto, é que o jornalista que investigou o caso foi condenado numa ação reparatória por dano moral movida pelo referido escritório.
terça-feira, 14 de abril de 2009
A impressionante estabilidade política
E se fosse na Tailândia? É, a Tailândia não é aqui. Lá manifestantes estão em pé de guerra com um governo corrupto - nem um pedaço da história noir que temos aqui. Romperam cordões de isolamento, acabaram com encontro de líderes e espancaram assessores do atual governo acusados de corrupção. Como temos um estado democrático de direito, nós, os civilizados gaúchos, esperamos pacientemente que a justiça seja feita dentro de nossos tribunais, mas não dentro de nossas cadeias! Algemas,então... que indigno! Já a oposição estadual perdoa o injustificável, calculando o "desgaste" da atual administração, sabendo que, com isso, as suas chances na próxima eleição serão maiores... Dá para diferenciar!?
A polêmica do vestibular unificado
Ainda não tenho opinião formada sobre a unificação dos vestibulares. Abaixo pesagem de prós e contras pelo Adolfo Sachsida:
Contras
Infelizmente a idéia de unificar o vestibular esconde um truque: dá poderes demais para quem elabora as questões do vestibular. Dada a tremenda influência ideológica que tem caracterizado diversos livros de história e geografia, creio que unificar o vestibular irá apenas potencializar o efeito nocivo da ideologia na educação. Com um vestibular unificado um professor honesto será obrigado a ensinar ERRADO a seus alunos. Afinal, ele deverá ensinar a seus alunos a passarem no vestibular. Se quem elabora o vestibular tem um viés ideológico, então um professor honesto (que tenta maximizar a chance de seus alunos serem aprovados no vestibular) deverá levar em conta esse viés ao preparar seus alunos para o vestibular. Esse é o verdadeiro ardil 22: o professor que ensinar de maneira correta induzirá seus alunos ao erro no vestibular, já o professor que ensinar a ideologia (e não a disciplina) estará levando seus alunos ao sucesso.
Prós
Se a unificação do vestibular fosse semelhante ao sistema americano, então minha opinião seria outra. No sistema americano a prova unificada refere-se a RACIOCÍNIO LÓGICO, e não a matérias que podem ser impregnadas de ideologia.
Contras
Infelizmente a idéia de unificar o vestibular esconde um truque: dá poderes demais para quem elabora as questões do vestibular. Dada a tremenda influência ideológica que tem caracterizado diversos livros de história e geografia, creio que unificar o vestibular irá apenas potencializar o efeito nocivo da ideologia na educação. Com um vestibular unificado um professor honesto será obrigado a ensinar ERRADO a seus alunos. Afinal, ele deverá ensinar a seus alunos a passarem no vestibular. Se quem elabora o vestibular tem um viés ideológico, então um professor honesto (que tenta maximizar a chance de seus alunos serem aprovados no vestibular) deverá levar em conta esse viés ao preparar seus alunos para o vestibular. Esse é o verdadeiro ardil 22: o professor que ensinar de maneira correta induzirá seus alunos ao erro no vestibular, já o professor que ensinar a ideologia (e não a disciplina) estará levando seus alunos ao sucesso.
Prós
Se a unificação do vestibular fosse semelhante ao sistema americano, então minha opinião seria outra. No sistema americano a prova unificada refere-se a RACIOCÍNIO LÓGICO, e não a matérias que podem ser impregnadas de ideologia.
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